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Prefiro o sexo

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Em "Adventures in the Orgasmatron", de Christopher Turner, encontramos um parágrafo muito interessante. At the sexology seminar, not long after they began seeing each other, Reich delivered a thirteen-page paper on the orgasm: "Coitus and The Sexes." It was his first reference to the topic that would intellectually captivate him for the rest of his life, though he did not yet connect the libido or orgasms to politics. Reich sought to answer the question posed by a contemporary sexologist: why were the male and female climax so infrequently simultaneous? This wouldn't be the case if castration fears were eliminated and tender and sexual impulses were allowed to coincide, Reich boasted, hinting at a new sexual assurance with Annie Pink.

É Wilhem Reich que é referido nesta citação. Estava-se no período entre as duas Grandes Guerras. Reich era o mais novo, do círculo de Freud. A psicanálise começava a afirmar-se, com muitas resistências, em Viena. Nesta cidade, os sociais democratas, que a governavam quase como um enclave, tinham levado a cabo uma série de reformas sociais. Havia uma clínica de psicanálise que dava consultas gratuitas, a quem não tinha condições para pagar. O mesmo modelo foi usado em Berlim. Estas medidas, bem como o tratamento de soldados com traumas de guerra e a influência que alguns psicanalistas tinham, na vida social e política, iam conseguido ganhar alguma reputação à nova disciplina. Mas, ainda  assim, eram os primeiros passos.

Nesta altura, começavam a ser frequentes os seminários de sexologia. E junto de alguns círculos, mais ligados à anarquia, o sexo era visto como algo de eminentemente político. Como é dito no parágrafo, Reich, ainda não via o potencial político do orgasmo. Mas era influenciado por este interesse que a sexualidade humana gerava, quer juntos dos psicanalistas, que sempre a viram como essencial e agora a começavam a estudar também de forma mais específica, quer junto de grupos mais politizados. 

O que acho interessante neste parágrafo é que expõe o que me separa de quase um século de estudo da sexualidade no ocidente. Estou, obviamente, muito grato à sexologia e reconheço-lhe os méritos. Mas, e sei que a frase é estranha, parece-me que se reduz o sexo à sexualidade, ou melhor, parece-me que se reduz o sexo à sexologia, ou que se vê o sexo sempre através da sexologia. 

Os seres humanos, sabemos porque sabemos da evolução, não foram criados já com esta forma. Evoluíram ao longo de milhões de anos. Encontrar a causa do facto de ser raro homens e mulheres terem orgasmos simultâneos no medo da castração parece-me ridículo. É como se partíssemos do que somos agora, nesta forma, humana, e nos debruçássemos para olhar para o nosso corpo, a nossa biologia, que demorou muito tempo a desenvolver-se. E não conseguíssemos imaginar mais nada a não ser personalidade, trauma, psique, cultura humana. Há várias teorias, muito mais plausíveis, para explicar porque é que os orgasmos do homem e da mulher não coincidem. Há umas dezenas de milhares de anos, quando a competição por uma fêmea, por garantir que os genes do macho eram passados, era semelhante à de outros animais, uma ejaculação rápida era uma vantagem evolutiva. Demorar demasiado tempo, era arriscar que viesse outro macho e nos impedisse de fecundar a fêmea. Como a evolução é lenta, comparada com o tempo humano, ainda não mudámos, por muito que os nossos hábitos sexuais sejam completemante diferentes e autónomos em relação à origem biológica da nossa sexualidade. É uma teoria, entre outras. 

Eu não concebo uma tentativa de perceber a sexualidade humana que não parta da biologia humana. E, obviamente, seja holística, inclua a psicologia, a antropologia, todos os aspectos e as áreas científicas que ajudem a ter uma visão mais global, contextualizada. E, para que seja verdadeiramente contextualizada, nunca poderá ser retirada do contexto da natureza, da comparação com os outros animais, quer dos que são parentes próximos, quer dos parentes mais afastados. Uma das minhas próximas leituras será a do Why is Sex Fun, do Jared Diamond, que fala da sexo dos humanos precisamente sob um ponto de vista evolucionário. A sexologia emergiu, pelo pouco que pude entender, da psicanálise. E isso deu-lhe uma perspectiva, um ângulo, uma forma de olhar para o sexo. Que não partilho.

Prefiro o sexo. Acho muito mais interessante a forma como, noutras culturas, durante milénios, se estudou o sexo, o que se passa quando as pessoas o fazem, como fazê-lo melhor e, porque nessas culturas o sexo é geralmente considerado uma forma de, pelo corpo, transcender a matéria, como chegar a algo de precioso, que faz com que valha a pena aprender técnicas, passar a vida como aprendiz. No ocidente, a psicanálise e a sexologia pretendem livrar-nos dos traumas, para que possamos apreciar o sexo sem culpa nem medos. E, porque temos uma visão romântica do sexo, achamos que a culpa e o pecado são sexys e que o que seja técnica só estraga, só vem tornar o acto menos natural. Pois eu prefiro o sexo à sexologia.

EMIS - resultados do estudo

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Apelei à participação no estudo aqui e agora faço a divulgação dos resultados aqui. Mapa com os resultados de Portugal aqui.

"Os Portugueses já têm Corpo"

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Identidade, Sexo e Género do ser Português - um artigo da Ípsilon aqui.

Se puderes, participa!

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até 31 de Agosto

Ponto G - o ponto da discórdia

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O nome deve-se ao ginecologista alemão Ernst Gräfenberg e popularizou-se após a publicação de "The G Spot and Other Recent Discoveries About Human Sexuality", em 1982, por Alice Kahn Ladas, Beverly Whipple e John D. Perry. Em quase 30 anos, foram feitos muitos estudos, não havendo ainda consenso sobre a matéria. Do lado dos que defendem a existência do ponto G, já foram avançadas várias hipóteses para o que será essa zona erógena tão esquiva e difícil de definir. Uma das teorias mais repetidas mas, ainda assim, longe de gerar consenso é a de que o que existe naquela zona da parede vaginal que pode levar a excitação, orgasmo e até ejaculação é a Glândula de Skene. Também chamada de próstata feminina, trata-se de um conjunto de glândulas, localizadas no vestíbulo da vulva, sensivelmente na zona onde ficaria o famigerado ponto G.

Parte da dificuldade em comprovar a existência de algo que possa corresponder ao que a cultura popular chama ponto G deve-se ao facto de a maior parte do conhecimento sobre o assunto provir de relatos na primeira pessoa. Os estudos que defendem, definem e localizam o ponto G têm vindo a ser criticados por falta de rigor e por dependerem, como referi, dos relatos das mulheres estudadas. Alguns psicólogos dizem mesmo que a promoção do ponto G pode ter efeitos perversos, porque coloca uma enorme pressão sobre as mulheres que, não conseguindo os resultados espectaculares que o ponto G parece proporcionar, podem sentir que têm algum tipo de disfunção sexual.

Independentemente do que a ciência conseguiu apurar, a cultura popular abraçou e amplificou o imaginário que o ponto G transporta. Uma panóplia imensa de brinquedos sexuais destinados à estimulação do ponto G estão disponíveis, muitos livros se escreveram sobre o assunto, muito filmes foram feitos, cursos, manuais, todo o tipo de informação está disponível. É um paradoxo interessante, que talvez diga muito sobre a forma como nos relacionamos com o sexo. Existem milhares de fontes sobre como estimular uma zona do corpo que a ciência ainda não decidiu se existe ou não. Talvez seja produtivo vermos as coisas de outra forma. Os relatos na primeira pessoa e os manuais, os cursos, os livros, referem uma mesma zona do corpo feminino, localizada na parede anterior da vagina, uns centímetros acima da entrada da vagina. Segundo as indicações, curvando dois dedos para dentro e inserindo-os na vagina, tocando a parede frontal, facilmente se chega ao ponto G. Assim, o local existe e está perfeitamente ao alcance dos dedos. Talvez a atitude mais sensata seja experimentar. E ver o ponto G como um potencial ponto erógeno. Que, como qualquer ponto erógeno, existe, enquanto erógeno, para umas pessoas e para outras não. Veja-se o ponto G como o pescoço ou o fundo das costas. O pescoço ou o fundo das costas existem. Mas para umas pessoas são pontos muito sensíveis, que estimulados de forma adequada provocam excitação sexual. E para outras, não. Vejamos a coisa sem pressões, sem a nossa mania ocidental de ver problemas e traumas e disfuncionalidades em tudo.

uma perspectiva sobre o amor, a sexualidade e a individualidade

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Entrevista a Fávio Gikovate

Não precisa casar. Sozinho é melhor.


O psiquiatra decreta a morte do amor romântico e diz que a vida de solteiro é um caminho viável para a felicidade

'Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre o amor e a individualidade, opte pelo segundo.'

Com 41 anos de clínica, o médico psiquiatra Flávio Gikovate acompanhou os fatos mais marcantes que mudaram a sexualidade no Brasil e no mundo. Aos 65 anos, ele atendeu a reportagem de Veja em seu consultório no elegante bairro dos Jardins, em São Paulo.

- O senhor diria para a maioria das pessoas que o casamento pode não ser uma boa decisão na vida?
Gikovate - Sim. As pessoas que estão casadas e são felizes são uma minoria. Com base nos atendimentos que faço e nas pessoas que conheço, não passam de 5%. A imensa maioria é a dos mal casados. São indivíduos que se envolveram em uma trama nada evolutiva e pouco saudável. Vivem relacionamentos possessivos em que não há confiança recíproca nem sinceridade. Por algum tempo depois do casamento, consideram-se felizes e bem casados porque ganham filhos e se estabelecem profissionalmente. Porém, lá entre sete e dez anos de casamento, eles terão de se deparar com a realidade e tomar uma decisão drástica, que normalmente é a separação. - Ficar sozinho é melhor, então? Gikovate - Há muitos solteiros felizes. Levam uma vida serena e sem conflitos. Quando sentem uma sensação de desamparo, aquele 'vazio no estômago' por estarem sozinhos, resolvem a questão sem ajuda. Mantêm-se ocupados, cultivam bons amigos, lêem um bom livro, vão ao cinema. Com um pouco de paciência e treino, driblam a solidão e se dedicam às tarefas que mais gostam. Os solteiros que não estão bem são geralmente os que ainda sonham com um amor romântico. Ainda possuem a idéia de que uma pessoa precisa de outra para se completar. Pensam, como Vinicius de Moraes, que 'é impossível ser feliz sozinho'. Isso caducou. Daí, vivem tristes e deprimidos. - Por que os casamentos acabam não dando certo? Gikovate - Quase todos os casamentos hoje são assim: um é mais extrovertido, estourado, de gênio forte. É vaidoso e precisa sempre de elogios. O outro é mais discreto, mais manso, mais tolerante. Faz tudo para agradar o primeiro. Todo mundo conhece pelo menos meia-dúzia de casais assim, entre um egoísta e um generoso. O primeiro reclama muito e, assim, recebe muito mais do que dá. O segundo tem baixa auto-estima e está sempre disposto a servir o outro. Muitos homens egoístas fazem questão que a mulher generosa esteja do lado dele enquanto ele assiste na televisão os seus programas preferidos. Mulheres egoístas não aceitam que seus esposos joguem futebol. Consideram isso uma traição. De um jeito ou de outro, o generoso sempre precisa fazer concessões para agradar o egoísta, ou não brigar com ele. Em nome do amor, deixam sua individualidade em segundo plano. E a felicidade vai junto. O casamento, então, começa a desmoronar. Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre amor e individualidade, opte pelo segundo.

- Viver sozinho não seria uma postura muito individualista?
Gikovate - Não há nada de errado em ser individualista. Muitos dos autores contemporâneos têm uma postura crítica em relação a isso. Confundem individualismo com egoísmo ou descaso pelos outros. São conceitos diferentes. Outros dizem que o individualismo é liberal e até mesmo de direita. Eu não penso assim. O individualismo corresponde a um crescimento emocional. Quando a pessoa se reconhece como uma unidade, e não como uma metade desamparada, consegue estabelecer relações afetivas de boa qualidade. Por tabela, também poderá construir uma sociedade mais justa. Conhecem melhor a si próprio e, por isso, sabem das necessidades e desejos dos outros. O individualismo acabará por gerar frutos muito interessantes e positivos no futuro. Criará condições para um avanço moral significativo.

- Por que os casamentos normalmente ocorrem entre egoístas e generosos?
Gikovate - A idéia geral na nossa sociedade é a de que os opostos se atraem. E isso acontece por vários motivos. Na juventude, não gostamos muito do nosso modo de ser e admiramos quem é diferente de nós. Assim, egoístas e generosos acabam se envolvendo. O egoísta, por ser exibicionista, também atrai o generoso, que vê no outro qualidades que ele não possui. Por fim, nossos pais e avós são geralmente uniões desse tipo, e nós acabamos repetindo o erro deles.

- Para quem tem filhos não é melhor estar em um casamento? E, para os filhos, não é melhor ter pais casados?
Gikovate - Para quem pretende construir projetos em comum – e ter filhos é o mais relevantes deles – o melhor é jogar em dupla. Crianças dão muito trabalho e preocupação. É muito mais fácil, então, quando essa tarefa é compartilhada. Do ponto de vista da criança, o mais provável é que elas se sintam mais amparadas quando crescem segundo os padrões culturais que dominam no seu meio-ambiente. Se elas são criadas pelo padrasto, vivem com os filhos de outros casamentos da mãe, mas estudam em uma escola de valores fortemente conservadores e religiosos, poderão sentir algum mal-estar. Do ponto de vista emocional, não creio que se possa fazer um julgamento definitivo sobre as vantagens da família tradicional sobre as constituídas por casais gays ou por um pai ou mãe solteiros. Estamos em um processo de transição no qual ainda não estão constituídos novos valores morais. É sempre bom esperar um pouco para não fazer avaliações precipitadas.

- Que conselhos você daria para um jovem que acaba de começar na vida amorosa?
Gikovate - É preciso que o jovem entenda que o amor romântico, apesar de aparecer o tempo todo nos filmes, romances e novelas, está com os dias contados. Esse amor, que nasceu no século XIX com a revolução industrial, tem um caráter muito possessivo. Segundo esse ideal, duas pessoas que se amam devem estar juntas em todos os seus momentos livres, o que é uma afronta à individualidade. O mundo mudou muito desde então. É só olhar como vivem as viúvas. Estão todas felizes da vida. Contudo, como muitos jovens ainda sonham com esse amor romântico, casam-se, separam-se e casam-se de novo, várias vezes, até aprender essa lição. Se é que aprendem. Se um jovem já tem a noção de não precisa se casar par ser feliz, ele pulará todas essas etapas que provocam sofrimento.

- As mulheres são mais ansiosas em casar do que os homens? Por quê?
Gikovate - As mulheres têm obsessão por casamento. É uma visão totalmente antiquada, que os homens não possuem. Uma vez, quando eu ainda escrevia para a revista Cláudia, o pessoal da redação fez uma pesquisa sobre os desejos das pessoas. O maior sonho de 100% das moças de 18 a 20 anos de idade era se casar e ter filho. Entre os homens, quase nenhum respondeu isso. Queriam ser bons profissionais, fazer grandes viagens. Essa diferença abismal acontece por razões derivadas da tradição cultural. No passado, o casamento era do máximo interesse das mulheres porque só assim poderiam ter uma vida sexual socialmente aceitável. Poderiam ter filhos e um homem que as protegeria e pagaria as contas. Os homens, por sua vez, entendiam apenas que algum dia eles seriam obrigados a fazer isso. Nos dias que correm, as razões que levavam mulheres a ter necessidade de casar não se sustentam. Nas universidades, o número de moças é superior ao de rapazes. Em poucas décadas, elas ganharão mais que eles. Resta acompanhar o que irá acontecer com as mulheres, agora livres sexualmente, nem sempre tão interessadas em ter filhos e independentes economicamente.

- Como será o amor do futuro?
Gikovate - Os relacionamentos que não respeitam a individualidade estão condenados a desaparecer. Isso de certa forma já ocorre naturalmente. No Brasil, o número de divórcios já é maior que o de casamentos no ano. Atualmente, muitos homens e mulheres já consideram que ficarão sozinhos para sempre ou já aceitam a idéia de aguardar até o momento em que encontrarão alguém parecido tanto no caráter quanto nos interesses pessoais. Se isso ocorrer, terão prazer em estar juntos em um número grande de situações. Nesse novo cenário, em que há afinidade e respeito pelas diferenças, a individualidade é preservada. Eu estou no meu segundo casamento. Minha mulher gosta de ópera. Quando ela quer ir, vai sozinha. E não há qualquer problema nisso.

- Quando duas pessoas decidem morar juntas, a individualidade não sofre um abalo?

Gikovate - Não necessariamente elas precisarão morar juntas. Em um dos meus programas de rádio, um casal me perguntou se estavam sendo ousados demais em se casar e continuarem morando separados. Isso está ficando cada dia mais comum. Há outros tantos casais que moram juntos, mas em quartos separados. Se o objetivo é preservar a individualidade, não há razão para vergonha. O interessante é a qualidade do vínculo que existirá entre duas pessoas. No primeiro mundo, esse comportamento já é normal. Muitos casais moram até em cidades diferentes.

- É possível ser fiel morando em casas ou cidades diferentes?
Gikovate - A fidelidade ocorre espontaneamente quando se estabelece um vínculo de qualidade. Em um clima assim, o elemento erótico perde um pouco seu impacto. Por incrível que pareça, essas relações são monogâmicas. É algo difícil de explicar, mas que acontece.

- Com o fim do amor romântico, como fica o sexo?
Gikovate - Um dos grandes problemas ligados à questão sentimental é justamente o de que o desejo sexual nem sempre acompanha a intimidade efetiva, aquela baseada em afinidade e companheirismo. É incrível como de vez em quando amor e sexo combinam, mas isso não ocorre com facilidade. Por outro lado, o sexo com um parceiro desconhecido, ou quase isso, é quase sempre muito pouco interessante. Quando acaba, as pessoas sentem um grande vazio. Não é algo que eu recomendaria. Hoje, as normas de comportamento são ditadas pela indústria pornográfica e se parece com um exercício físico. O sexo então tem mais compromisso com agressividade do que com amor e amizade. Jovens que têm amigos muito chegados e queridos dizem que transar com eles não tem nada a ver. Acham mais fácil transar com inimigos do que com o melhor amigo. Penso que, com o amadurecimento emocional, as pessoas tenderão a se abster desse tipo de prática.

- As desilusões com o primeiro casamento têm ajudado as pessoas a tomar as decisões corretas?
Gikovate - No início da epidemia de divórcios brasileira, na década de 70, as pessoas se separavam e atribuíam o desastre da união a problemas genéricos. Alguns diziam que o amor acabou. Outros, o parceiro era muito chato. Não se davam conta de que as questões eram mais complexas. Então, acabavam se unindo à outras pessoas muito parecidas com as que tinham acabado de descartar. Hoje, os indivíduos estão mais críticos. Aceitam ficar mais tempo sozinhos e fazem autocríticas mais consistentes. Por causa disso, conseguem evoluir emocionalmente e percebem que terão que mudar radicalmente os critérios de escolha do parceiro. Se antes queriam alguém diferente, hoje a tendência é buscarem uma pessoa com afinidades.


Duda Teixeira, Revista Veja

Lista de "idades de consentimento" por país

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Esta lista, contém a "idade de consentimento", em diferentes países.

sex freak

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Não seremos todos?

Foi bom para ti?

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Algo que contamina o usofruto do sexo, numa relação, é a obssessão pela performance. Ao contrário dos outros animais, nós avaliamos e somos avaliados pelo que se faz durante o coito. Os outros animais são avaliados pela performance durante os rituais de acasalamento. Depois a cópula em si serve apenas para formalizar, concretizando, a inseminação. Geralmente, são os machos que têm de actuar para as fêmeas, em danças e outras formas de demonstrar aptidão, saúde e bons genes. Nós também temos alguns rituais, também temos corte, também temos machos a exibir os seus dotes e vantagens sobres os demais. Mas, ao contrário dos outros animais, com os humanos a parte mais importante vem depois de se ser escolhido.

Durante muito tempo - quase toda a história da humanidade - os machos humanos não tiveram de se preocupar muito com a performance. No coito, não era suposto as mulheres terem prazer. O sexo servia para permitir a procriação e para a satisfação dos homens. Uma mulher que demonstrasse ter prazer ou sequer gostar de sexo - e o contexto em que falo é o das sociedades ocidentais, nos últimos séculos -, arriscava-se a ser considerada depravada, indecente, o que poderia trazer consequências sociais graves. Isto não mudou completamente, havendo ainda a mentalidade "o que tu queres sei eu", que atribui às mulheres uma suposta tendência (mal) disfarçada para a depravação, sendo que a depravação é tão só gostar de sexo. De qualquer forma, nas últimas décadas, o prazer feminino foi um dos eixos de um empowerment importante, que resgatou para o quotidiano os direitos reprodutivos e sexuais das mulheres. 

Desde os anos 80 do século XX que as revistas femininas ocupam muitas das suas páginas com temas relacionados com o prazer sexual das mulheres. É possível ler sobre todo o tipo de dicas sobre masturbação, orgasmo, orgasmos múltiplos, fantasias, massagens, técnicas para o sexo oral, localização e estimulação do ponto G e um sem número de assuntos no contexto do usofruto da vida sexual. Toda esta literuatura serviu para encararmos o sexo com naturalidade, emancipando-o da mera função reprodutiva, estabelecendo que homens e mulheres têm a mesma legitimidade para desejar e procurar o prazer. Parece inesgotável a procura de literatura sobre sexo. Na última meia dúzia de anos, foram publicados inúmeros livros com a palavra Kama Sutra no título, e vários se tornaram best sellers. E nos últimos dois, três anos, o número de blogues portugueses em que o tema central é o sexo cresceu exponencialmente. O sexUtopia surgiu nesta altura, precisamente. Nunca se falou e escreveu tanto sobre sexo. Todos já ouvimos falar e lemos sobre orgasmos múltiplos, sobre sexo tântrico, sobre todo o tipo de proezas e habilidades, já vimos ilustrações e descrições sobre as mais variadas posições sexuais.

Este contexto, de hipertrofiado interesse e enfoque no sexo, permite que a informação seja abundante e acessível. Mas isso, ao mesmo tempo que nos ajuda a estarmos mais informados e a termos mais opções, parece criar uma pressão enorme sobre a nossa performance. Queremos igualar os campeões dos orgasmos múltiplos, os artesãos do ponto G, os ginastas do Kama Sutra, os habilidosos do sexo oral, os ousados, os que são "bons na cama". E mesmo que não nos empenhemos muito no sexo, mesmo que não seja uma das nossas prioridades, mesmo se o nosso parceiro também pensa assim, há sempre o medo dos potenciais adversários, que, sabe-se lá, serão muito mais imaginativos e sedutores e mágicos e inesquecíveis do que nós. 

E depois há o lado de quem recebe. O nosso parceiro esforça-se, empenha-se, compra os livros e estuda os desenhos e absorve tudo o que ouve dos programas de televisão e das conversas de amigos e, em seguida, põe em prática. E é precisamente a inovação com que nos presenteia que nos aborrece ou desagrada. Ou é o acto que lhe parece dar mais prazer a ele que nos deixa mais desconfortável. Como dizer-lhe o que realmente pensamos quando nos pergunta se foi bom? Não o queremos magoar, porque sabemos como ficaríamos magoados se ele nos dissesse a nós, "olha, não foi nada bom, não gostei daquela coisa que fizeste". O fantasma de uma má performance, o espectro negativo do medo de sermos "maus na cama", é tão forte como o medo de ser impotente ou de ter um pénis pequeno - mais forte e difícil de combater, diria mesmo, porque é algo que depende de nós, o que não acontece com o tamanho pénis, por exemplo. 

Vamos lá relaxar um pouco, sim? O sexo é algo de intrinsecamente agradável. E estarmos com alguém de que gostamos, nus, é manifestamente bom. Deveríamos permitir-nos ser, pelo menos de vez em quando, maus na cama, chatos, previsíveis, cansados, passivos, indispostos, trapalhões, incompetentes. As coisas vão-se aperfeiçoando. E não importa atingir mínimos olímpicos ou recordes do guiness. Importa aproveitar o tempo a sós com a pessoa amada, descontraidamente, com alegria e gratidão. Há tempo para falhar. Tempo para experimentar e para descobrir. E mesmo as conversas sobre o que se faz na cama, os diálogos que afinam e fortalecem as sincronias e cumplicidades, mesmo essas conversas são uma fonte de prazer. Vamos lá relaxar e usufruir do tempo e dos corpos uns dos outros, deixando a mente e as suas complicações para segundo plano. Da pele ao coração, não é preciso passar pelo cérebro (isto é o que se chama ser cientificamente incorrecto, o politicamente incorrecto já está fora de moda).

Nota: o contexto do que escrevi é o de relações mais ou menos estáveis; o sexo ocasional tem outras perspectivas, porque não se repete nem dá azo a que os dois parceiros se conheçam e sintonizem o entendimento. 

"Tudo é sexo" ou "o sexo não é tudo"?

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Para mim, a sexualidade nunca foi um pormenor entre outros, numa relação amorosa. Como se se pudesse dividir a relação em vários elementos: partilha de tarefas e responsabilidades, projectos em comum e projectos pessoais, emotividade, parceria, vida familiar e filhos e, entre todos os outros, mais um detalhe, a sexualidade. Eu sempre a vivi como o conjunto de tudo o que compõe uma relação amorosa. O carinho, a troca de experiências, o conforto, a paixão, a sedução, o amor, o apoio às ideias e projectos de cada um, o caminho em comum, o desejo, tudo isto, na minha forma de viver, tem um espaço comum, uma linguagem, que é a sexualidade. Na primeira visão das coisas, parece-me que se reduz a sexualidade aos actos sexuais, como se o coito, à noite, antes de dormir, fosse a única forma de concretizar a sexualidade de um casal. E, nesse sentido, é apenas um dos elementos da relação e nem por sombras o mais importante. Na minha maneira de ver as coisas, uma conversa confidente, um beijo de bons dias, um orgasmo, a resolução de uma discussão, a sedução e os mimos, a reprodução, a animalidade, lidar-se com o ciúme, um abraço durante o banho, cuidar-se do parceiro quando este adoece, todos estes aspectos de uma vida em comum, de um relacionamento amoroso, são sexualidade, ou pelo menos, eu vivo-os tendencialmente dessa forma. Eu digo que uma relação é uma relação amorosa e outra é uma relação de amizade porque vejo essa diferença fundamental: numa relação amorosa, a sexualidade é a base de tudo, numa relação de amizade continuo a ser um ser sexuado, é verdade, mas não é a sexualidade que alicerça a relação, é algo próximo do amor fraterno. Quando ouço, no contexto de uma conversa sobre relacionamentos amorosos, "o sexo não é tudo", fico confuso e perplexo. Mesmo agora, que a repetição vai esboroando o efeito de surpresa, espanto-me com a afirmação e o conceito que a sustenta. Para mim, habitualmente, "tudo é sexo". Mesmo que os actos ententidos como sexuais passem por periodos de escassa frequência. Na minha sensibilidade e visão das coisas, se não existe sexualidade, não existe relação amorosa. Isto, obviamente, é o que funciona comigo, é o que me define e faz feliz. Cada um é livre para se estabelecer perante o mundo, os conceitos e as emoções da forma que o fizer mais feliz. De qualquer forma estou curioso, se tivessem de escolher a afirmação que mais se aproxima da (vossa) verdade, o que escolheriam, "tudo é sexo" ou "o sexo não é tudo"?

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Resultados da sondagem sobre a frequência do sexo

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