Mostrar mensagens com a etiqueta pornografia. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta pornografia. Mostrar todas as mensagens

Pornografia na Ucrânia

1 comentários
«Ukraine bans porn possession. At the beginning of July, owning porn became a criminal offense in the Ukraine. President Viktor Yushchenko agreed to sign the bill that would result in fines and three years in prison for offenders.

Only material kept “for medical purposes” is allowed. (Does that mean one can claim to have a cold that only Bel Ami can cure?)

Free-speech proponents and human-rights activists argued the bill was too broad; pornography was not even defined in the bill, leaving the law at the discretion of the police and judges.

Lawmaker Hennadiy Moskal said critics have nothing to fear, and the new law will not be abused. “I am sure that number of cases won’t increase,” he said.» [Via]

Se pode ter uso médico, será a Pornografia assim tão nefasta para a sociedade?

The Sun - "Romantic Death"

0 comentários
<a href="http://www.joost.com/08201iz/t/The-Sun-Romantic-Death-Video">Romantic Death</a>

Vídeo da banda The Sun, usando imagens do site "Beautiful Agony"

a «imergência» da pornografia

2 comentários
A Walpaper.com convidou o artista Roobie Cooper a fazer um trabalho sobre pornografia e voyeurismo. O resultado foi este video, intitulado «Immersion», onde se podem ver os momentos de supremo êxtase de homens e mulheres amantes do género.



O que é pornografia IV

9 comentários


Contribuição, em comentário, de Fabulástico.



É curioso que tenhas escolhido este tema que foi justamente a base da minha tese de pós-graduação.E é interessante ver as várias abordagens e sobretudo verificar a (muito comum)confusão de conceitos e que mais trabalho me deu em investigação.

A Pornografia é uma expressão repescada no séx.XIX do grego – pornē + graphein - que etimologicamente significa a escrita de ou para as prostitutas. Esta será a definição mais enciclopédica do termo mas também a que menos informação nos dá. Por implicar com vários campos da acção humana (religião, moral, lei, sexualidade, etc) a pornografia tem inúmeras definições, por vezes até contraditórias e que, regra geral, trazem em si uma implícita ou explícita condenação ou suporte da práctica.

Por outro lado, o discurso académico sobre a pornografia tem sido feito sobretudo no campo legal e legislativo.
Se o mundo cultural e intelectual querem mostrar abertamente o que durante séculos foi escondido, o mundo judicial e político tentam criam novas restrições. Mas mais do que uma questão de censura, trata-se de um problema relacionado com a política do corpo, ou melhor, com a biopolítica. Foi Foucault quem definiu alguns dos principais conceitos respeitantes à biopolítica mostrando as dimensões micropolíticas do poder, as suas suas hierarquias, a serialização dos indivíduos nos limites de cada instituição ligada ao panopticon que nos ajudam a perceber a forma como o poder cerce as nossas manifestações pessoais e como a loucura pode ser instrumento de liberdade. Agamben preocupou-se com a ontologia da política na sua relação com o espaço originário, nas suas relações básicas de poder e no seu papel na determinação fundamental da existência, adiantando os conceitos de estado de excepção e vida nua. O estado de excepção, que é proclamado pelo poder soberano de forma a suspender a validade da lei está a tornar-se na regra onde a dicotomia fundamental da dominação do poder absoluto e da vida nua deve ser entendida . Então,

«Até o conceito de “corpo” [...], já está desde sempre preso num dispositivo, ou melhor, é desde sempre corpo biopolítico e vida nua, e nada, nele ou na economia do seu prazer, parece oferecer-nos um terreno firme contra as pretensões do soberano.»


Contudo, Agamben não indica nenhuma possibilidade de o homo sacer limitar o poder soberano. Uma vez que - como demonstrou Deleuze - o poder é pensado numa relação entre o desejo e o interesse, a resposta possível estará na exaltação do desejo. Roger Bruegel – o comissário da última Documenta - acrescenta:

«[…] as in sexuality, absolute exposure is intricately connected with infinite pleasure. There is an apocalyptic and obviously political dimension to bare life […]. There is, however, also a lyrical or even ecstatic dimension to it – a freedom for new and unexpected possibilities […].»


A censura existe justamente pelo receio da força das imagens na mobilização dos nossos sentidos. Uma imagem vista como capaz de provocar desejo sexual, torna-se ofensiva e será necessariamente regulada, ou seja, terá acesso restrito ou será censurada. Entra no campo do interdito:

« Interdito indica uma ação intentada com o fim de proteção e caracterizada por um preceito proibitório, como o impedimento do uso, a fruição de bens ou o obstáculo ao acesso a lugares ou a coisas considerados sagrados ou puros.»(Mauro Koury, «Fotografia e Interdito»)

A exaltação do desejo tem que ser pensada dentro do quadro mental do pornográfico entendido como uma campo semântico tal como o poético, o fotográfico ou o cinematográfico. O pornográfico tem de ser aceite enquanto campo de largo espectro que engloba e imbui os conceitos de erótico, obsceno e interdito. Uma vez que as fronteiras e idiossincrasias deste últimos conceitos negam-se a uma classificação precisa: o que para uns é erótico, obsceno ou interdito, para outros é pornográfico e para outros ainda, emético ou anódino. Como mostrou David Freedberg:

«It might also be desirable to establish a distinction between erotic and pornographic, or at least to devise a sliding scale, beginning with a work that presents the nude cold, at it were, the passing to something that more blatantly suggests sexuality, and terminating with the representation of the sexual act itself. […Contudo…] The erotic-pornographic distinction may only be semantically real (and intersubjectively variable) […] it is not uncommon to find that the suggestive turns out to be more provocative than the blatantly descriptive.» (The Power of Images»)

Assim interessa sobretudo perceber a evolução das mentalidades na compreensão do que é o pornográfico pelo entendimento que se fez do que é a pornografia uma vez que «What is called pornographic remains wholly contextual; there can be no hope of deriving the term transcontextually or on anything remotely approaching a transcultural base.»

Na minha tese preocupei-me sobretudo com «O entendimento do pornográfico na arte contemporânea» na obra de artistas como Cindy Sherman, Mapplethorpe, Jeff Koons entre outros.

Falta de tempo e oportunidade impediu-me de poder incluir o teu trabalho. Talvez quando passar a tese de Doutoramento.

[ comentário originalmente dirigido ao Rogério Nuno Costa ]

O que é pornografia II

6 comentários
Depois deste interessante mini-debate, proporcionado pelas respostas de carpe vitam, decidi dedicar mais algumas palavras ao assunto. Nos comentários de outro blogue, disse carpe, "É curioso verificar que pornografia vem de obscenidade e erotismo vem de amor. Claro que não são as palavras em si que importa, mas o conceito". Penso que aqui está um dos pontos essenciais, se se quiser compreender o fenómeno da pornografia. Quanto a mim, é exactamente a noção de obsceno que pode explicar o sucesso (e a eficácia) da pornografia. É porque ainda consideramos o sexo, o corpo e a nudez algo obsceno que a pornografia resulta. Uma das fórmulas de sucesso com maior longevidade e provas dadas é tão simples que nem chega a ser fórmula: o cru, o explícito é, só por si, excitante. Porque é que as imagens aproximadas de genitais (de pessoas que estão em plena cópula) são excitantes? Esteticamente, a maior parte destas imagens produzidas pela indústria pornográfica, não têm grande cuidado. Mais: até existe uma certa estética low-cost-amateurish que os realizadores gostam de explorar. Tal como as imagens tremidas de um acidente, captadas por câmara amadora prendem o olhar, a meio de um telejornal, a filmagem mal focada, com movimentos bruscos ou trôpegos, a má iluminação, num filme pornográfico, dão a ideia de algo que foi captado por olhos e mãos amadoras. É como se estivessemos a assistir, como voyeurs autorizados, a algo que não teve produção, não foi ensaiado. O sucesso de sites como o youporn.com, que se tornou uma empresa multimilionaria, ou de projectos numa onda de porno-gourmet, como os muito interessantes ifeelmyself.com e beautifulagony.com, ou ainda o ishotmyself.com, mostram que a palavra amateur é uma palavra mágica no mundo da pornografia. 

Voltando um pouco atrás, porque é que o obsceno é apelativo? Antes ainda, pensemos, porque é que o obsceno é obsceno? Recorrendo de novo à wikipedia: Obscenity (in Latin obscenus, meaning "foul, repulsive, detestable"), is a term that is most often used in a legal context to describe expressions (words, images, actions) that offend the prevalent sexual morality of the time. It is often replaced by the word salaciousness. A palavra, num sentido mais estrito, significa ofensa à moral sexual vigente. Já foi considerado ofensa, e crime, punido por lei (e em alguns locais do mundo ainda é), o sexo fora do casamento, o sexo anal, a masturbação, a homossexualidade.  O sentido em que a temos usado é um pouco diferente, significando tudo o que é considerado escandaloso, sexualmente, digno de ser escondido dos olhares de potenciais ofendidos. Juntando os dois sentidos da palavra, o que tem sido obsceno, ao longo dos tempos, com variações e contestações, é o corpo nu, o corpo praticando actos sexuais, ou mais precisamente os genitais. Não é à toa que as palavras obscenas, os insultos mais fortes, as plavras mais feias e insultuosas estão geralmente ligadas aos genitais.

Ao esconder-se o corpo, catalogando-o de indecente, está-se a atribuir-lhe um carga simbólica muito forte, como coisa proibida e desejada. Nas sociedades primitivas, e em muitas, dependendo do clima, as pessoas andam nuas, não creio que a pornografia tivesse grande efeito. A pornografia faz algo muito simples: mostra, revela. É esse o seu segredo. Um produto pornográfico não faz mais do que isso: coloca ao alcance do olhar o que estava vedado, por imposição da moral e dos bons costumes. A pornografia torna explícito o que estava escondido. E não resulta, obviamente, se o corpo nu, os actos sexuais, não estiverem, à partida, escondidos. 

Claro que, como todas as indústrias bem sucedidas, a indústria pornográfica cresceu e desenvolveu-se. Neste momento, estão disponíveis produtos para todos os gostos. Algumas correntes de feminismo acabaram por defender o direito à pornografia, como forma de acentuar a emancipação da mulher, na sua assunção de uma sexualidade livre, autónoma e plena. Neste momento a pornografia é mais do que começou por ser, quando, principalmente no ocidente, se decidiu esconder da vista o que está perfeitamente à mostra na natureza. E há países, como o Japão, em que a sexualidade é vivida de forma diferente da nossa, em que a pornografia também prosperou. Nesse país, o consumo de hentai é massivo, sendo comum encontrar um pai de família a ler um livro de manga pornográfica no metro. O que se mantém comum, parece-me, é que a pornografia é produzida e consumida como forma alcançar excitação sexual. E, de resto, são possíveis apropriações artísticas, simbólicas, filosóficas. Relembro as criações de Jeff Koons, representando actos sexuais com a sua esposa na altura, Cicciolina, sendo que o casamento, em si, foi entendido como um acto meta-artístico.

O que é pornografia

7 comentários
"A pornografia é uma invenção vitoriana". A frase ouvia-a a durante um episódio de The Best Of Pornucopia, em exibição na Sic Radical. A explicação seguiu-se. Foi durante a época vitoriana que a pornografia nasceu. Quando os povos antigos viam as esculturas e imagens de pessoas tendo sexo, não as viam enquanto pornografia. Foi quando uns senhores, muito distintos, se viram com estas imagens, que decidiram que aquilo era material que devia ser afastado de jovens donzelas impressionáveis e que apenas eles, cavalheiros maduros, estariam à altura de ver tais representações. Segundo a wikipedia, "Pornography or porn is the explicit depiction of sexual subject matter with the sole intention of sexually exciting the viewer. It is to a certain extent similar to erotica, which is the use of sexually arousing imagery." Mais à frente é esclarecido: "However, when sexual acts are performed for a live audience, by definition it is not pornography, as the term applies to the depiction of the act, rather than the act itself. Thus, portrayals such as sex shows and striptease are not pornography.".

Nesta definição fica então estabelecido que a pornografia não é o acto sexual, mas a sua representação. E que essa representação, para ser pornografia, é produzida com o intuito de excitar sexualmente o consumidor de pornografia. Tenho de dizer que me agrada esta definição. Põe de lado qualquer discussão sobre se pornográfico é o que é explícito ou não, sobre se o explícito, desde que tenha valor artístico, deixa ou não de ser pornografia. Fica claro, com esta definição, que o que distingue a pornografia de outras representações de actos sexuais é o objectivo com que é produzida. Um filme pornográfico, uma imagem pornográfica, um texto pornográfico, são criados para provocar excitação sexual.