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Orgasmos múltiplos masculinos I

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Sobre os orgasmos femininos existe muita coisa escrita. As revistas femininas encarregam-se, há anos, de descrever técnicas, recomendar livros e manuais, convidar especialistas para escrever artigos, enfim, quase tudo o que se possa escrever sobre o orgasmo feminino, à luz do que se descobriu até ao momento, já foi escrito, em formato pronto a consumir. A capacidade de ter orgasmos múltiplos ocupou uma boa parte da literatura sobre o orgasmo feminino. Criou inveja nos homens e inflacionou expectativas de, ou pelo menos colocou alguma pressão sobre, homens e mulheres. 

Muitos livros se apropriaram das palavras Kama Sutra, tornando-se êxitos de vendas. Em qualquer livraria se encontram dezenas de livros com fotos ou desenhos ilustrando posições sexuais, capítulos dedicados a massagens, à anatomia masculina e feminina, ao sexo oral, aos preliminares, ao orgasmo. O interesse pelo sexo tântrico renovou-se, embora sem a euforia e o entusiasmo com que invadiu o ocidente nos anos 60. 

Neste contexto, homens e mulheres parecem estar mais disponíveis para aprender coisas novas. O sexo, para muitas pessoas, deixou de ser algo que ocupa um espaço mínimo no quotidiano, uma actividade para a qual não vale a pena dedicar muito tempo, nem ter grandes preocupações com a aprendizagem de técnicas ou inovações para surpreender o companheiro. Com o empowerment que tem sido dado à sexualidade feminina nas últimas décadas, descolando-a da visão machista do sexo e emancipando-a de moralismos, a sexualidade, na perspectiva das mulheres, parece um mundo imenso, com novidades estrondosas que surgem de tempos a tempos, renovando o potencial interesse em experimentar as sugestões que se lêm em qualquer revista. Depois de muitos anos a falar-se de orgasmos múltiplos (e antes disso a falar-se simplesmente do orgasmo, desconhecido de muitas mulheres, e da masturbação), começou-se já há algum tempo a falar do ponto G - e, mais recentemente, do ponto U e da ejaculação feminina.

(Na cultura popular) para os homens os conselhos têm sido, acima de tudo, sobre como proporcionar prazer à parceira, como fazê-la ter orgasmos, e mais do que um, como fazer sexo oral, como tornar o sexo anal uma experiência boa para ela, também. Isto acontece acima de tudo porque têm sido as revistas femininas a falar sobre o assunto. Nos últimos anos, contudo, as revistas masculinas passaram também a dar conselhos sobre o sexo, e na perspectiva, finalmente, dos homens. Online, a AskMen é um exemplo óptimo, sendo abordados todos os assuntos relacionados com o prazer, já sem a necessidade de querer corresponder a um único e irredutível modelo masculino - sem tabus, a revista descreve, por exemplo, como estimular a próstata, aka o ponto G masculino.

Chegados a este momento, em que a informação é tanta, em que tivemos décadas, no ocidente, para nos debruçarmos sobre a sabedoria sexual dos orientais, em que se fizeram estudos importantes sobre o acto sexual em laboratório, em que a neurologia e a psicologia estudam os efeitos no cérebro e no comportamento dos orgasmos, da excitação, de tudo o que se relaciona com o sexo, chegados a este ponto, eis que se começa a falar dos orgasmos múltiplos masculinos. 

Para um homem é possível ter mais do que um orgasmo no decorrer de uma relação sexual. É possível ejacular mais do que uma vez. Mas não é a isso que se refere a expressão orgasmos múltiplos masculinos. Na verdade, tratam-se de orgasmos secos estes orgasmos múltiplos, ou seja, orgasmos sem ejaculação. Aqui é feita uma descrição sucinta do fenómeno e da técnica. E neste fórum é possível colocar questões, esclarecer dúvidas, entrar em contacto com outras pessoas que se interessam pelo tema, seguir a bibliografia recomendada. Nos próximos tempos, irei tentar perceber se é um falso ou inatingível mundo novo este de que se fala, ou se os orgasmos múltiplos também estão ao meu alcance, a mim que sou homem. Não preciso de aconselhar os leitores a fazer o mesmo, o assunto é suficientemente apelativo. Este tema terá sequelas, no sexUtopia, a dar conta das experiências científicas com caracter freelance a que me irei dedicar.