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Os "Comics" e os Estudos do Género

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No nº 4 de Image and Narrative dedicado ao tema dos Estudos do Género, encontramos dois artigos que escolhem a banda desenhada como objecto de análise.

O primeiro foi escrito por Trinna Robbins, que toma como campo de estudo as representações de homens e mulheres na B.D. americana do século XX. A autora defende que houve uma paulatina mudança nessas representações ao longo dos anos. Dos funnies do início do século onde as mulheres eram apresentadas como lindas e perfeitas enquanto os homens eram desenhados com formas quase grotescas; passa-se, em meados do século, a representar tanto as mulheres como os homens de forma caricata ou como esterótipo numa pretensão de realismo. Numa época mais recente nos comics - a banda desenhada de super-heróis - surge uma hiper-sexualização dos géneros. As formas sexuais são evidenciadas: nas mulheres os peitos crescem e as cinturas tornam-se mais finas, as roupas tornam-se mais reveladoras e provocantes.

De certa forma, tal acabou por ser como que um retrocesso à imagética do início do século. A hiper-sexualização dos homens tornou-os quase grotescos: massas de músculos que se multiplicam até a deformidade, como o caso da figura de HULK. Já as mulheres continuam, estranhamente, belas. E digo estranhamente porque também elas têm as proporções alteradas, com pernas demasiado compridas e cinturas espartilhantes.


Fig.1

Porém há que ter em atenção que, destinados sobretudo a adolescentes, estes livrinhos têm uma função tintilante de erotismo velado e, por isso, autorizado. Esse erotismo velado é estudado, no segundo artigo, por Paul Bleton, que se interessa por decifrar quais os mecanismos dos mal-entendidos na B.D e de como estes se traduzem nas questões de género.

Para estes autores, o maior perigo destas BD é a contrução de padrões irrealistas do que são as características de género e de identificação sexual. A meu ver, tal não se sucede. Veja-se as imagens em baixo. A primeira mostra uma das representações canónicas da WONDER WOMAN (fig.1), a segunda algumas interpretações feitas for leitores e fans da heroína (fig.2). O dismorfismo sexual é claramente reduzido ou até mesmo extinto, não deixando de ser representações de mulheres sexualmente atraentes.

Fig.2 [via]

Talvez os autores esqueçam que a principal função da B.D. é a de nos fazer esquecer do mundo real e de nos transportar para um mundo de fantasia. Mundo esse que não é, necessariamente, aquele onde nos revemos. Os leitores sabem perfeitamente distanciar-se dessas representações hiper-sexualizadas. Se, de facto, existisse o perigo de uma colagem acrítica a essas figuras, teríamos adolescentes a tentarem ser mais rápidos que uma bala ou a saltar arranha-céus num só pulo...


Fontes:
«Gender Differences in Comics» by Trina ROBBINS, 2002 (in English)
«Bande dessinée: bien vu et malentendu» by Paul BLETON, 2002 (en Français)

O Ecofeminismo em "Morbus Gravis", de Serpieri

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(...) As a metatheoretical perspective that provides a critique of many facets of Western culture, ecofeminism predicts global consequences of catastrophic proportion if current interrelated systems of oppression are permitted to continue to exist (see Bigwood, 1993; Caputi, 1993; Johnson, 1993; Plant, 1989; Plumwood, 1993; Vance, 1993). The exploration of ecofeminist themes within the context of a comic series that is rife with elements of horror and erotica is helpful in terms of gaining insight into how ecofeminism is represented to a demographic which would intuitively seem unreceptive to its overarching concern with systems of patriarchal oppression. McCloud (2000) observes that women and minorities have been vastly underrepresented in both comic art readership and production. Further, many comics (particularly erotic comics) present the reader with violent, degrading and frightening images of women (Horn, 1977; Laity, 2002). Thus, the question of how ecofeminist themes function within a comic text that is presumably read by white males who enjoy viewing sexually violent images of women becomes central to this project. (...)