Mostrar mensagens com a etiqueta | carpe vitam |. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta | carpe vitam |. Mostrar todas as mensagens

EMIS - resultados do estudo

2 comentários




 
Apelei à participação no estudo aqui e agora faço a divulgação dos resultados aqui. Mapa com os resultados de Portugal aqui.

"Os Portugueses já têm Corpo"

1 comentários
 

Identidade, Sexo e Género do ser Português - um artigo da Ípsilon aqui.

Se puderes, participa!

2 comentários
até 31 de Agosto

para as meninas :)

2 comentários
copo menstrual: uma alternativa muito prática, económica e ecológica aos pensos higiénicos e tampões.
+ info: Pegada Verde

bombons (in)discretos

2 comentários
Passei um destes dias pela Eroteca e descobri isto:


enjoy :)

eroteca sexto sentido: convite

0 comentários

bastante apelativo
a todos os sentidos!


+ info

impulso

4 comentários

quero, Quero, QUERO!!!

+ info

o azul e o mentol

1 comentários
És daltónico?
Tens a certeza que consegues distinguir bem os verdes dos azuis? A pergunta impõe-se porque decidi experimentar o lubrificante que me recomendaste. Primeiro fui a uma Área Saúde, não havia. Depois atravessei a cidade à hora de ponta (que não é muito grande, a cidade, mas a ponta é bastante comprida e demorada) e fui à farmácia. Pedi o lubrificante Play azul. Dirigi-me a casa para fazer uma surpresa ao meu amor que já estava à minha espera. A fila de trânsito interminável deu-me tempo para ler a literatura da embalagem. Não dizia que provocava efeito refrescante, era só "intensificador de prazer" ou qualquer coisa do género. Mais abaixo dizia então para experimentar também a versão calor e a versão refrescante. Ora bolas, trouxe o frasco errado! E foste TU que me induziste em erro. Depois lembrei-me do centro comercial a caminho de casa, pus-me a inventar caminhos estranhos para fugir ao trânsito e lá cheguei. Reparei que no supermercado o lubrificante era dois euros mais caro que na farmácia e decidi visitar farmácia do centro. Finalmente encontrei o que queria, o lubrificante refrescante e… VERDE! Quando muito, verde azulado, mas VERDE! Levei-o. Já eram horas de jantar quando cheguei a casa, mas depois de saciar a fome e tomar um banhinho, lá fomos fingir que víamos um filme, que não por acaso era bastante aceso (Lie with me, recomendado por uma amiga, mas não me perguntes se era bom porque não vi metade e achei-a fraquita). Pegámos no frasco VERDE e lá experimentámos um pouco ao de leve, no meu sexo. Assim que aquilo tocou na pele mais sensível, ardeu que se fartou. Qual fresco, qual carapuça, parecia piri-piri! (Não que eu já tenha experimentado piri-piri ali, mas se faz o efeito que faz na boca, imagina no sexo!) Comecei a abanar-me, a tentar fazer-lhe chegar ar fresco, mas não resultou. NÃO TE RIAS, NÃO TEM PIADA NENHUMA! Apeteceu-me gelo, mas como havia mais gente em casa, não queria explicar porque é que precisava de gelo em pleno inverno. Fui para a casa de banho passar o sexo por água fria e finalmente encontrei algum alívio. Sabes aquele efeito de chupar rebuçados de mentol e beber água a seguir? Imagina esse efeito nas partes íntimas. Deviam explicar que aquilo resulta muito melhor quando combinado com água fria. Após esta experiência, decidi moderar a quantidade e assim correu tudo lindamente. Às tantas já só cheirávamos a mentol, as mãos, as bocas, as mamas… Agora já sei, sempre que quiser dar uma queca com sabor a mentol… Ainda sinto o cheiro e o sabor na junção dos dedos…

Depois experimentei o azul. A textura é muito melhor, mais densa, tipo gel, assemelha-se bastante aos fluidos naturais. Não tem cheiro, é transparente, fresquinho, mas não refrescante, funde-se bem com a pele, é muito eficaz.
O mentol funciona lindamente no verão, combinado com um duche de água fria. Então se depois usares um óleo de massagem de cacau... estás a ver After Eight?

Tanto um como outro funcionam lindamente com preservativos porque são à base de água.
Andei a consultar os sites da Durex, e encontrei alguns links interessantes, se quiseres, dá uma olhada:

Have fun!

uma perspectiva sobre o amor, a sexualidade e a individualidade

5 comentários
Entrevista a Fávio Gikovate

Não precisa casar. Sozinho é melhor.


O psiquiatra decreta a morte do amor romântico e diz que a vida de solteiro é um caminho viável para a felicidade

'Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre o amor e a individualidade, opte pelo segundo.'

Com 41 anos de clínica, o médico psiquiatra Flávio Gikovate acompanhou os fatos mais marcantes que mudaram a sexualidade no Brasil e no mundo. Aos 65 anos, ele atendeu a reportagem de Veja em seu consultório no elegante bairro dos Jardins, em São Paulo.

- O senhor diria para a maioria das pessoas que o casamento pode não ser uma boa decisão na vida?
Gikovate - Sim. As pessoas que estão casadas e são felizes são uma minoria. Com base nos atendimentos que faço e nas pessoas que conheço, não passam de 5%. A imensa maioria é a dos mal casados. São indivíduos que se envolveram em uma trama nada evolutiva e pouco saudável. Vivem relacionamentos possessivos em que não há confiança recíproca nem sinceridade. Por algum tempo depois do casamento, consideram-se felizes e bem casados porque ganham filhos e se estabelecem profissionalmente. Porém, lá entre sete e dez anos de casamento, eles terão de se deparar com a realidade e tomar uma decisão drástica, que normalmente é a separação. - Ficar sozinho é melhor, então? Gikovate - Há muitos solteiros felizes. Levam uma vida serena e sem conflitos. Quando sentem uma sensação de desamparo, aquele 'vazio no estômago' por estarem sozinhos, resolvem a questão sem ajuda. Mantêm-se ocupados, cultivam bons amigos, lêem um bom livro, vão ao cinema. Com um pouco de paciência e treino, driblam a solidão e se dedicam às tarefas que mais gostam. Os solteiros que não estão bem são geralmente os que ainda sonham com um amor romântico. Ainda possuem a idéia de que uma pessoa precisa de outra para se completar. Pensam, como Vinicius de Moraes, que 'é impossível ser feliz sozinho'. Isso caducou. Daí, vivem tristes e deprimidos. - Por que os casamentos acabam não dando certo? Gikovate - Quase todos os casamentos hoje são assim: um é mais extrovertido, estourado, de gênio forte. É vaidoso e precisa sempre de elogios. O outro é mais discreto, mais manso, mais tolerante. Faz tudo para agradar o primeiro. Todo mundo conhece pelo menos meia-dúzia de casais assim, entre um egoísta e um generoso. O primeiro reclama muito e, assim, recebe muito mais do que dá. O segundo tem baixa auto-estima e está sempre disposto a servir o outro. Muitos homens egoístas fazem questão que a mulher generosa esteja do lado dele enquanto ele assiste na televisão os seus programas preferidos. Mulheres egoístas não aceitam que seus esposos joguem futebol. Consideram isso uma traição. De um jeito ou de outro, o generoso sempre precisa fazer concessões para agradar o egoísta, ou não brigar com ele. Em nome do amor, deixam sua individualidade em segundo plano. E a felicidade vai junto. O casamento, então, começa a desmoronar. Para os meus pacientes, eu sempre digo: se você tiver de escolher entre amor e individualidade, opte pelo segundo.

- Viver sozinho não seria uma postura muito individualista?
Gikovate - Não há nada de errado em ser individualista. Muitos dos autores contemporâneos têm uma postura crítica em relação a isso. Confundem individualismo com egoísmo ou descaso pelos outros. São conceitos diferentes. Outros dizem que o individualismo é liberal e até mesmo de direita. Eu não penso assim. O individualismo corresponde a um crescimento emocional. Quando a pessoa se reconhece como uma unidade, e não como uma metade desamparada, consegue estabelecer relações afetivas de boa qualidade. Por tabela, também poderá construir uma sociedade mais justa. Conhecem melhor a si próprio e, por isso, sabem das necessidades e desejos dos outros. O individualismo acabará por gerar frutos muito interessantes e positivos no futuro. Criará condições para um avanço moral significativo.

- Por que os casamentos normalmente ocorrem entre egoístas e generosos?
Gikovate - A idéia geral na nossa sociedade é a de que os opostos se atraem. E isso acontece por vários motivos. Na juventude, não gostamos muito do nosso modo de ser e admiramos quem é diferente de nós. Assim, egoístas e generosos acabam se envolvendo. O egoísta, por ser exibicionista, também atrai o generoso, que vê no outro qualidades que ele não possui. Por fim, nossos pais e avós são geralmente uniões desse tipo, e nós acabamos repetindo o erro deles.

- Para quem tem filhos não é melhor estar em um casamento? E, para os filhos, não é melhor ter pais casados?
Gikovate - Para quem pretende construir projetos em comum – e ter filhos é o mais relevantes deles – o melhor é jogar em dupla. Crianças dão muito trabalho e preocupação. É muito mais fácil, então, quando essa tarefa é compartilhada. Do ponto de vista da criança, o mais provável é que elas se sintam mais amparadas quando crescem segundo os padrões culturais que dominam no seu meio-ambiente. Se elas são criadas pelo padrasto, vivem com os filhos de outros casamentos da mãe, mas estudam em uma escola de valores fortemente conservadores e religiosos, poderão sentir algum mal-estar. Do ponto de vista emocional, não creio que se possa fazer um julgamento definitivo sobre as vantagens da família tradicional sobre as constituídas por casais gays ou por um pai ou mãe solteiros. Estamos em um processo de transição no qual ainda não estão constituídos novos valores morais. É sempre bom esperar um pouco para não fazer avaliações precipitadas.

- Que conselhos você daria para um jovem que acaba de começar na vida amorosa?
Gikovate - É preciso que o jovem entenda que o amor romântico, apesar de aparecer o tempo todo nos filmes, romances e novelas, está com os dias contados. Esse amor, que nasceu no século XIX com a revolução industrial, tem um caráter muito possessivo. Segundo esse ideal, duas pessoas que se amam devem estar juntas em todos os seus momentos livres, o que é uma afronta à individualidade. O mundo mudou muito desde então. É só olhar como vivem as viúvas. Estão todas felizes da vida. Contudo, como muitos jovens ainda sonham com esse amor romântico, casam-se, separam-se e casam-se de novo, várias vezes, até aprender essa lição. Se é que aprendem. Se um jovem já tem a noção de não precisa se casar par ser feliz, ele pulará todas essas etapas que provocam sofrimento.

- As mulheres são mais ansiosas em casar do que os homens? Por quê?
Gikovate - As mulheres têm obsessão por casamento. É uma visão totalmente antiquada, que os homens não possuem. Uma vez, quando eu ainda escrevia para a revista Cláudia, o pessoal da redação fez uma pesquisa sobre os desejos das pessoas. O maior sonho de 100% das moças de 18 a 20 anos de idade era se casar e ter filho. Entre os homens, quase nenhum respondeu isso. Queriam ser bons profissionais, fazer grandes viagens. Essa diferença abismal acontece por razões derivadas da tradição cultural. No passado, o casamento era do máximo interesse das mulheres porque só assim poderiam ter uma vida sexual socialmente aceitável. Poderiam ter filhos e um homem que as protegeria e pagaria as contas. Os homens, por sua vez, entendiam apenas que algum dia eles seriam obrigados a fazer isso. Nos dias que correm, as razões que levavam mulheres a ter necessidade de casar não se sustentam. Nas universidades, o número de moças é superior ao de rapazes. Em poucas décadas, elas ganharão mais que eles. Resta acompanhar o que irá acontecer com as mulheres, agora livres sexualmente, nem sempre tão interessadas em ter filhos e independentes economicamente.

- Como será o amor do futuro?
Gikovate - Os relacionamentos que não respeitam a individualidade estão condenados a desaparecer. Isso de certa forma já ocorre naturalmente. No Brasil, o número de divórcios já é maior que o de casamentos no ano. Atualmente, muitos homens e mulheres já consideram que ficarão sozinhos para sempre ou já aceitam a idéia de aguardar até o momento em que encontrarão alguém parecido tanto no caráter quanto nos interesses pessoais. Se isso ocorrer, terão prazer em estar juntos em um número grande de situações. Nesse novo cenário, em que há afinidade e respeito pelas diferenças, a individualidade é preservada. Eu estou no meu segundo casamento. Minha mulher gosta de ópera. Quando ela quer ir, vai sozinha. E não há qualquer problema nisso.

- Quando duas pessoas decidem morar juntas, a individualidade não sofre um abalo?

Gikovate - Não necessariamente elas precisarão morar juntas. Em um dos meus programas de rádio, um casal me perguntou se estavam sendo ousados demais em se casar e continuarem morando separados. Isso está ficando cada dia mais comum. Há outros tantos casais que moram juntos, mas em quartos separados. Se o objetivo é preservar a individualidade, não há razão para vergonha. O interessante é a qualidade do vínculo que existirá entre duas pessoas. No primeiro mundo, esse comportamento já é normal. Muitos casais moram até em cidades diferentes.

- É possível ser fiel morando em casas ou cidades diferentes?
Gikovate - A fidelidade ocorre espontaneamente quando se estabelece um vínculo de qualidade. Em um clima assim, o elemento erótico perde um pouco seu impacto. Por incrível que pareça, essas relações são monogâmicas. É algo difícil de explicar, mas que acontece.

- Com o fim do amor romântico, como fica o sexo?
Gikovate - Um dos grandes problemas ligados à questão sentimental é justamente o de que o desejo sexual nem sempre acompanha a intimidade efetiva, aquela baseada em afinidade e companheirismo. É incrível como de vez em quando amor e sexo combinam, mas isso não ocorre com facilidade. Por outro lado, o sexo com um parceiro desconhecido, ou quase isso, é quase sempre muito pouco interessante. Quando acaba, as pessoas sentem um grande vazio. Não é algo que eu recomendaria. Hoje, as normas de comportamento são ditadas pela indústria pornográfica e se parece com um exercício físico. O sexo então tem mais compromisso com agressividade do que com amor e amizade. Jovens que têm amigos muito chegados e queridos dizem que transar com eles não tem nada a ver. Acham mais fácil transar com inimigos do que com o melhor amigo. Penso que, com o amadurecimento emocional, as pessoas tenderão a se abster desse tipo de prática.

- As desilusões com o primeiro casamento têm ajudado as pessoas a tomar as decisões corretas?
Gikovate - No início da epidemia de divórcios brasileira, na década de 70, as pessoas se separavam e atribuíam o desastre da união a problemas genéricos. Alguns diziam que o amor acabou. Outros, o parceiro era muito chato. Não se davam conta de que as questões eram mais complexas. Então, acabavam se unindo à outras pessoas muito parecidas com as que tinham acabado de descartar. Hoje, os indivíduos estão mais críticos. Aceitam ficar mais tempo sozinhos e fazem autocríticas mais consistentes. Por causa disso, conseguem evoluir emocionalmente e percebem que terão que mudar radicalmente os critérios de escolha do parceiro. Se antes queriam alguém diferente, hoje a tendência é buscarem uma pessoa com afinidades.


Duda Teixeira, Revista Veja

sex freak

1 comentários


Não seremos todos?

toca a participar!

0 comentários

a minha amiga Gigi Lelo

1 comentários
Ela veio ter comigo por um feliz acaso. Não que eu não a tivesse desejado e escolhido, mas ao sugerir um presente, estava longe de imaginar que viesse a ser o meu presente.

Ela não poupa na forma como se apresenta e causa realmente boa impressão, mas o mais importante é a eficácia. Uma textura muito suave reveste-lhe o corpo duro. Vários modos de vibração, de intensidade regulável. O primeiro, sempre vibrante e três modos intermitentes, cada um mais rápido que o outro e o modo ondulante, que vai crescendo de intensidade até ao máximo e volta ao início. Não é difícil conseguir a cadência pretendida, mas seria ainda mais fácil se os controlos fossem um pouco mais salientes, para poder comandar apenas com o tacto.

As suas curvas arredondadas fazem dela uma excelente massagista para todo o corpo. Apesar da marca a classificar como produto da linha feminina, não vejo razão para que ela não possa ser amiga de um homem, já que o seu design permite facilmente estimular a próstata. Sobre o ponto G, o estímulo é preciso, ajustável ao milímetro. A superfície plana da ponta faz realmente a diferença.

Poder combiná-la com companhia humana e/ou outros brinquedos. Colocar a cabeça vibrante no clítoris expectante ou à entrada do ânus ávido de prazer enquanto acontece a penetração. É também muito boa na dupla penetração, contagiando ambos os corpos com a sua vibração. Combiná-la com criatividade e imaginação.

Poder demorar-me. Com ela, não há urgência a não ser que eu queira. A cómoda bateria recarregável permite descontrair e saborear a vibração contagiante até ela adormecer cá dentro.

É mais pequena do que eu tinha imaginado, mas não precisa de ser maior, adapta-se perfeitamente à anatomia do corpo, e mantém-se no sítio sem ajuda das mãos, mesmo com os músculos contraídos, permitindo uma vasta liberdade de movimentos ao encontro do prazer.

Muito simpática esta Gigi, entusiasmante. Diria mesmo apaixonante…

design ao serviço do prazer sexual

2 comentários
à procura de um presente inesquecível?

androginia?

0 comentários

entrevista a Marta Crawford

1 comentários
"O sexo não é só uma relação entre o pénis e a vagina"

Homens e mulheres, prestem atenção: o desafio do próximo milénio é fazer-vos entender o papel da estimulação da zona do clítoris durante o coito. Isto pode parecer estranho a alguns (e a algumas, que sempre se julgaram menos do que as outras), mas, na maior parte dos casos, a penetração não basta para fazer uma mulher ver estrelas. Palavra de Marta Crawford, sexóloga sem medo de palavras como clítoris, vagina, pénis, fellatio, cunnilingus. Pronuncia-as com à-vontade porque nada do que é humano, desde que praticado entre adultos e consentido, lhe é estranho. Está tudo, com suficiente detalhe e desenhos educativos, em “Viver o Sexo com Prazer, um guia da sexualidade feminina” e resumido nesta entrevista. Para ler e aprender...

Depois de ‘Sexo Sem Tabus’, escreve ‘Viver o Sexo com Prazer, um guia da sexualidade feminina’. Porquê?
Era o plano da editora: um livro mais genérico, dirigido aos dois sexos, um dirigido às mulheres, outro aos homens e um aos jovens.

Porquê primeiro o da sexualidade feminina?
Porque a masculina é um tema mais batido, sempre se viu a sexualidade sob o prisma masculino, as mulheres estavam lá mas tinham o papel secundário do filme. Era suposto acompanharem o homem no prazer que ele deveria ter. Embora isto seja de um tempo muito antigo, o facto é que muitos casais ainda funcionam assim.

Sem prazer feminino?
Os casais têm relações, com regularidade ou não, e muitas mulheres não têm prazer nas relações sexuais, mas acabam por participar para manter o equilíbrio do casal. O que digo é que é possível ter-se prazer na sexualidade, mas se calhar é preciso trabalhar algumas coisas para não ser um frete.

A sexualidade masculina é mais simples?
Não, o prazer feminino é talvez mais contextual, implica uma série premissas, ao nível da relação com o corpo, questões da vida, da casa, dos afectos, o que não significa que as mulheres só funcionem sexualmente quando estão muito apaixonadas, mas têm de se sentir bem na situação, são menos imediatas. No caso masculino, a estimulação é muito mais rápida. Não são necessários tantos estímulos para que um homem atinja uma certa excitação ou queira iniciar uma relação sexual e chegue até ao fim. Já a mulher reage na maior parte das vezes a uma estimulação directa da zona genital, mas são necessárias outras condições.

Porque razão oferecer um vibrador a uma mulher pode considerar-se uma ofensa?
Os brinquedos sexuais parecem uma coisa para as mulheres pervertidas, que não têm parceiros ou não ficam satisfeitas com eles. No mercado existem objectos que permitem à mulher obter níveis de prazer mais elevados, nomeadamente quando, nas relações sexuais com os seus parceiros, não há uma estimulação clitoriana.

O coito não basta?
Estou numa espécie de campanha para tornar claro que o que não é frequente é as mulheres atingirem o orgasmo só através do coito. O orgasmo vaginal é um mito.

Mas as mulheres sentem-se anormais se isso não acontece.
O propósito é o orgasmo vaginal, através do coito. Freud falou nisso: as mulheres que atingiam o orgasmo através da estimulação clitoriana seriam imaturas. Enganou-se. Mesmo porque o fundo da vagina não tem grande sensibilidade, a maior parte desta está na zona anterior, nos primeiros centímetros da entrada e na zona clitoriana. O clítoris tem mais sensores nervosos, mais até do que o pénis, e tem apenas essa função: na maior parte das mulheres, é a zona que lhes dá maior prazer, mesmo que a estimulação não seja lá em cima mas ao lado.

O que pode acontecer quando não há estimulação clitoriana?
Saturação e querer despachar o assunto. É o que acontece quando se entende que aquilo que é uma coisa óbvia – estimular durante o coito – não faz parte. Ou então que a mulher é uma coitada pois não consegue atingir o orgasmo de outra forma. Não é verdade, a mulher não é uma coitada porque precisa de estimulação nessa zona.

Há mulheres que sentem muito prazer com a penetração.
Claro. O que digo é que com a maior parte, 90 por cento, isso não acontece. O sexo não é só uma relação pénis/vagina. Isso é do tempo em que a sexualidade tinha a ver com a procriação.

Elas queixam-se nas consultas?
Há muitas que dizem sentir-se incompletas, pensam que talvez fosse diferente com outra pessoa. Pode ser um problema ao nível do casal, alguns funcionam sexualmente melhor do que outros, mas também tem a ver com comunicação e habilidade do parceiro.

O que dá prazer ao homem pode não ser o que dá maior prazer à mulher. Não há aqui há um desencontro fundamental?
A sexualidade tem sido vista à luz do prazer masculino – por isso se considera que o coito é a forma eleita de dar prazer aos dois. Mas, se continua a insistir-se na mesma fórmula, a mulher nunca sentirá prazer. Porque a obsessão em atingir esse orgasmo é tal que se despreza a estimulação de outros sítios. Então é que mulher perde a competência para chegar lá.

Os preliminares não ajudam?
Muitos casais dizem ‘nós fazemos um período de preliminares e depois passamos ao coito, ao sexo’, ou seja, a mulher já está excitada e esse grau de excitação devia continuar até conseguir atingir o orgasmo. Muitas vezes isso não acontece.

Porquê?
As mulheres passam por muitos altos e baixos na sua capacidade de excitação, lubrificam mais num certo período, depois deixam de lubrificar e é preciso voltar de novo a um tipo de estimulação mais particular, mais fininho ou mais intenso. É um jogo para o qual é preciso ter disponibilidade. Também é_importante que a mulher perceba como é que o corpo vai respondendo à estimulação, seja genuína e diga aquilo que quer. Muitas mulheres não têm muito prazer mas já estão saturadas e só querem é que a relação termine, que o parceiro ejacule.

O clítoris pode ser o tal sininho ao som do qual se diz a missa?
Há mulheres que detestam ser tocadas directamente no clítoris mas o que é certo é que indirectamente sentem prazer. O clítoris é a única parte do corpo da mulher sem outra função além de dar-lhe prazer. Há que conjugar as diversas formas de obter prazer no jogo amoroso. Não há uma eleita. Não sei se o clítoris é o sininho ou o tal botão mágico mas facilita.

O tamanho do pénis do parceiro importa?
Pensar que um pénis grande é garantia de muito prazer feminino é um mito. De facto, se homem não for habilidoso e atencioso às necessidades da parceira, de nada lhe vale um pénis grande. Pode impressionar a mulher e levá-la a fantasiar – também pode ser assustador...– mas terá pouco interesse se o homem não souber usá-lo.

O ponto G existe mesmo?
Supostamente, o ponto G, uma espécie de anel esponjoso de tecido eréctil, fica a três ou quatro centímetros da entrada anterior da vagina, por baixo do osso púbico, junto à zona da uretra. Há mulheres que referem ter muito prazer com a estimulação desta zona.

É assim tão importante?
Sou um bocado céptica em relação a tudo o que é vendido nas revistas cor-de-rosa como o novo santo Graal, primeiro o clítoris, depois os multiorgasmos... no fundo obstáculos que fazem a mulher sentir-se sempre abaixo do exequível. Agora cria-se outro patamar em que a mulher para ter um prazer extraordinário tem de ter um Ponto G e anda tudo à procura dele. O pénis não toca no Ponto G, mas o Ponto G quer ser estimulado ou através da masturbação ou de um vibrador especial. Andar à procura até pode ser engraçado, mas não faz sentido centrarmo-nos no ponto G só porque alguém vendeu o ‘produto’, nem julgar que as mulheres que não o têm são piores do que as outras.

As revistas cor-de-rosa também falam muito de sexo anal.
Antes não se falava de sexo anal, mas sempre se praticou. Quando as mulheres estavam menstruadas ou grávidas optavam pelo sexo anal. Também as que não queriam perder a virgindade o faziam, o que tem o seu lado cómico... mais uma vez, o sexo lícito é o sexo vaginal. Há a ideia de que o ânus tem a ver com sujidade ou com a homossexualidade. Falar abertamente de sexo anal faz com que as pessoas não tenham medo de pensar sobre isso e até se disponham a experimentar de uma forma que não crie prejuízo. Como as pessoas não me vêem exactamente como alguém pervertido, suponho que pensem ‘se ela fala é porque há outra perspectiva’.

O sexo anal não é mais uma fantasia masculina?
Penso que as mulheres que fazem sexo anal gostam, mas é importante que cada casal o faça de uma forma satisfatória para os dois e não só para o homem. Esse é o truque em relação a seja o que for. Há mulheres que não gostam de fazer fellatio, só que os homens gostam muito e elas não estão ali para tirar-lhes o prazer. Mas elas também gostam de cunnilingus. Tem de fazer-se o contraponto. Há casais que fazem tudo, há casais que só gostam de fazer uma coisa e não outra. Tudo bem, é a maneira de funcionar daquele casal, não tem de existir um menu e fazer-se o “check list”.

Ou seja, cada um sabe de si?
É mais: na sexualidade cada coisa vale por si, um beijo, um abraço, não é preciso ir até ao fim. Só que as pessoas estão preocupadas em atingir o orgasmo, que dura mais ou menos dez segundos – é contar até dez e já passou – que não usufruem do resto, das massagens, dos beijos. O orgasmo é bom, mas só pelos dez segundos mais vale comer um gelado. [risos.]

Em ‘Viver o Sexo Com Prazer’, refere-se a uma paciente que sentiu o primeiro orgasmo aos 36 anos através da masturbação.
Era uma mulher que nunca tinha masturbado. Tinha dificuldades na relação sexual com o parceiro, não experimentava prazer mas dor. Tudo era no sentido negativo.

O que aconteceu?
No início, a terapia é muito orientada para a sensualidade, mais genérica. Programam-se sete sessões de 15 em 15 dias. Ela levou algum tempo até que acontecesse. Sentia-se ridícula a masturbar-se. Mas acabou por criar um ambiente especial na sala, estava sozinha, os filhos dormiam. Quando aconteceu ela não sabia o que era aquilo. Não disse ao marido. Ele só soube durante a terapia. Depois ela começou a sentir umas coisinhas. Ela, que não sentia absolutamente nada, começou a sentir uma certa excitação. Nunca tinha usado lubrificantes, começou a usá-los. Para uma mulher que não lubrifica a relação coital é do pior que pode haver, a fricção é dolorosa.

E quanto ao sexo oral? Há homens que pensam que o cunnilingus é só lamber...
Pois... se calhar também há homens incompetentes. Isto não é contra eles. É dizer-lhes ‘abanem-se lá’. Eles passam a vida a dizer que as mulheres não querem ter relações sexuais, mas se calhar é porque eles são incompetentes, não porque elas são frígidas, termo que já nem sequer existe. Temos de elaborar um bocadinho mais. Pensar ‘o que é que se está a passar?’.

E o que é que se está a passar?
Se eles souberem ouvir e ver elas tornam-se mais disponíveis. O que acontece é as mulheres dizerem ‘ele só quer é aquilo’. Se ela sabe que ele só quer aquilo, então ele fica sem nada. São as pequenas atenções que fazem com que uma pessoa tenha mais desejo. Tudo o que já está completamente estipulado e que não surpreende acaba por cansar.

Há homens que parecem não gostar muito de estimular oralmente as mulheres...
E há a atitude francamente machista de sentido oposto que é as mulheres acharem, em relação ao fellatio: ‘é uma coisa que eles gostam e eu faço porque eles gostam; não me importo’, mas em relação ao cunnilingus pensam: ‘mete-me nojo ou acho que ele não vai gostar – dizem que tem um cheiro qualquer a peixe –, o melhor é não fazer.’ Ora, há mulheres que têm grande prazer nisso porque é uma estimulação muito directa, que vai directamente aos sítios, estimula a zona clitoriana, as virilhas... Quando há conjugação da estimulação oral e digital, as mulheres têm muito prazer. Naturalmente, não é uma lambidela de alto a baixo durante um minuto. Deve haver da parte da mulher um incentivo a que o parceiro, ou parceira, continue.

Há uma quase genérica resistência à utilização do preservativo no sexo oral.
É uma ideia corrente e errada a de que não se apanham doenças no sexo oral e é difícil passar a ideia de que tem de se usar o preservativo. Há muitos jovens, e não só, que ainda pensam “como ele (ou ela) é bonito, não tem doenças”. Depois da menopausa, as mulheres também pensam que ficam imunes, associam não engravidar a não apanhar doenças. Mas há uma série de doenças que são transmitidas através do sexo oral, portanto tem de se utilizar o preservativo. Obviamente que, numa relação de confiança e alguma regularidade entre um casal que se entenda como estável, não é preciso usar, embora o sexo oral seja mais frequente em relações ocasionais, como primeira forma de abordagem. É preciso usar o preservativo. Torna tudo mais higiénico e até evita alguns constrangimentos, relacionados com lubrificação excessiva, sabores que se consideram desagradáveis ou a ejaculação na boca da parceira quando ela não gosta. É ridículo não usar preservativo.

Mas é complicado, nomeadamente no caso do cunnilingus.
Sim, pode ser complicado, se pensarmos que podíamos estar a fazer outra coisa qualquer. Mas uma toalhinha de látex, um bocado de papel aderente, uma luva cortada ou o preservativo cortado permite que se faça à vontade pois não há transmissão de doenças e isso torna-nos mais livres. Qual é o mal? Até é divertido.

O que diz às mulheres que fingem ter prazer quando não têm?
São elas que perdem porque o parceiro, normalmente, tem. Da parte feminina, o fingimento faz com que eles repitam exactamente o mesmo procedimento e não aprendam. Há a ideia de que eles ficam chateados se lhes disserem. Outras receiam que se transforme numa obsessão, que se disserem ‘não consigo atingir o orgasmo’ eles ficam ali a insistir e é uma pressão para a mulher aquela ideia de que tem de ter um orgasmo em cada relação.

Há mulheres frígidas ou homens incompetentes?
Há mulheres e homens que são pouco habilidosos. Também não vou dizer que todas as mulheres estão completamente disponíveis para dar prazer aos homens. Mas há uma premissa de que ‘sexo é coito’. ‘Prazer só no coito.’ ‘O coito é suficiente para a mulher atingir o orgasmo.’ Os homens correspondem a estes parâmetros porque é mais fácil, eventualmente gostam mais que haja uma relação coital e também não dá muito trabalho. Mas é preciso dar aqui uma grande volta e encontrar novas formas de dar prazer um ao outro. Dizia-se que as mulheres eram frígidas. Talvez fossem mal estimuladas. Uma mulher satisfeita vai decerto procurar ter relações sexuais mais frequentemente.

Terceira idade significa necessariamente o fim do sexo?
A sexualidade na terceira idade sempre foi vista como uma coisa pouco própria. Ninguém imagina os avós ou os bisavós na cama. Mas não tem de ser pouco própria. E não é. Não é porque se tem mais quilos ou celulite que o sexo não pode acontecer. O sexo não tem prazo de validade desde que o casal tenha vontade e disponibilidade para continuar a explorar o próprio corpo. Há alterações físicas e fisiológicas que, de alguma forma, podem comprometer a sexualidade tradicional, a tal coital, e então ‘se não há penetração, acabou-se a minha vida sexual.’ Porquê? Não há outras maneiras de obter prazer? Há. Mas, se na minha cabeça a única forma de sexo é aquela, tudo o resto fica aquém e é desnecessário. Voltamos à história dos dez segundos de orgasmo.

O que é então o sexo?
É muito mais do que uma relação pénis/vagina. É comunicação, conseguir uma liberdade na relação de forma a dar e receber, é ter espaço para a ternura, para a sensualidade. Repare que a definição da OMS nem sequer refere a relação coital, o que é interessante. Mas esta troca entre as pessoas é essencial para o bem estar dos seres humanos.

Diz-se que somos cada vez mais sociedades sem Deus. Não temos ainda vergonha do olhar Dele?
É uma vergonha que nos chega através da educação. Mesmo se não há tantos católicos praticantes, mesmo que não pratiquemos, sentimo-nos todos católicos ou, pelo menos na nossa infância e juventude, herdámos essa forma de pensar católica. Eu tive uma instrução católica bastante intensa e penso que caridade, dar e receber são princípios básicos do catolicismo. Não se pode repudiar a homossexualidade, por exemplo. Não se pode dizer que é uma coisa do demo. As pessoas não escolhem ser homossexuais. Ninguém tem nada a ver com isso, desde que sejam dois adultos e os dois queiram.

(...)

Isabel Ramos, Correio da Manhã 30-03-2008